Estudos sobre a pedagogia do SER Reflexões das lições da sala de aula. N A M A S T E !
quarta-feira, 25 de abril de 2012
Krishnamurti, citado por Crema (1988), avalia bem o estado atual da sociedade conduzida por esse paradigma: "Temos o progresso técnico, sem um progresso psicológico equivalente, e por esse motivo há um estado de desequilíbrio; têm-se realizado extraordinárias conquistas científicas e, no entanto, continua a existir o sofrimento humano, continuam a existir corações vazios e mentes vazias. A maioria das técnicas que aprendemos se relacionam com a construção de aeronaves, com os meios de nos matarmos uns aos outros. (...) Um coração vazio mais uma mente técnica não faz um ente humano criador; e como perdemos aquele estado criador, produzimos um mundo extremamente desditoso, talado por guerras, dilacerado por distinções de classes e de raças. Cabe-nos, pois, a responsabilidade de operar uma transformação radical em nós mesmos."
sexta-feira, 20 de abril de 2012
A mais luminosa idéia com que Frobel contribuiu para a Pedagogia moderna foi a de que o ser humano é essencialmente dinâmico e produtivo, e não meramente receptivo. O homem pe uma força auto-geradora e não uma esponja que absorve conhecimento do exterior.
Froebel também defendeu o desenvolvimento genético, destacando a continuidade do desenvolvimento, bem como a unidade das fases do crescimento
Para ele, o desenvolvimento ocorre segundo as seguintes fases: a infância, a meninice, a puberdade, a mocidade e a maturidade, todas igualmente importantes.
A infância é o período em que a criança deve ser protegida pelos pais, porque ela é dependente. As atividades motoras e os sentidos são muito importantes nesse momento da vida.
Em 1837, surge o Kindergarten (Jardim de Infância), onde as crianças eram consideradas plantinhas de um jardim, cujo jardineiro seria o professor.
A criança se expressaria através das atividades de percepção sensorial, da linguagem e do brinquedo. A linguagem oral se associaria à natureza e à vida.
Froebel foi o primeiro educador a utilizar o brinquedo, como atividade, nas escolas; as atividades e os desenhos que envolvem movimento e os ritmos eram muito importantes. Para a criança passar a se conhecer, o primeiro passo seria chamar a atenção para os membros de seu próprio corpo, para depois chegar aos movimentos das partes do corpo.
Os blocos de construção, chamados de materiais específicos, eram usados pelas crianças nas suas atividades criadoras. Se trabalhava com outros tipos de materiais, como: papel, papelão, argila e serragem.
Froebel idealizou recursos sistematizados para as crianças se expressarem, dando o nome de "dons" porque Deus oferecia para que as necessidades infantis fossem bem desenvolvidas.
Os chamados "dons" eram a bola, o cubo e o cilindro.
Os blocos eram utilizados em uma medida bem restrita, enquanto as demais atividades eram mais livres.
No período da meninice - dos seis ou sete anos aos nove ou dez anos - a instrução e a preparação para a firmeza da vontade eram valorizadas. As atividades construtivas eram bem variadas e cada menino cuidava do seu próprio jardim, passando para atividades comunitárias com dois ou mais meninos.
Nesta fase, os brinquedos possuem uma característica mais intencional porque contribui para a formação das qualidades morais.
As histórias, os mitos, as lendas, os contos de fadas e as fábulas tinham um enorme valor para Froebel.
Enquanto os brinquedos físicos davam força e poder ao corpo, as histórias desenvolviam o poder da mente.
As excursões a montanhas e vales eram semanais na escola de Froebel. Na sua opinião, a natureza tinha um enorme poder para auxiliar o menino a compreender a si mesmo e aos outros.
Froebel, valorizava a família, tanto quanto Pestalozzi, abrangendo a função familiar aos planos biológico, social, religioso e educacional.
Foi o primeiro educador a captar o significado da família nas relações humanas.
Ele observava muito a maneira de agir das crianças e chegou a conclusão que elas se valiam de símbolos na hora de brincar.
Exemplo: Um taquinho de madeira podia ser um determinado animal, ou até mesmo, uma boneca. Baseando-se nisso, Froebel sentia uma atração especial pelo simbolismo.
Falando de Froebel, observamos que:
* A educação baseia-se na evolução natural das atividades da criança;
* As atividades espontâneas adquirem um desenvolvimento verdadeiro;
* Na educação infantil o brinquedo é fundamental;
* Para conseguir integrar o crescimento de todos os poderes: físico, mental e social, Froebel, variou nas atividades construtivistas;
* A atividade construtivista pode causar uma grande harmonia e espontaneidade no controle social;
* Os currículos das escolas devem estar baseados nas atividades e interesses desde o nascimento e em cada fase da vida infantil;
* A humanidade ainda está em processo de desenvolvimento, e a educação ainda é a melhor solução para um futuro melhor;
* O futuro desenvolvimento da raça depende exclusivamente da educação das mulheres;
* O saber não resume-se em um fim em si mesmo, mas funciona relacionado com as atividades do organismo.
Froebel em seu livro A educação do homem inicia sua explicação de como se dá o desenvolvimento humano, em especial o infantil, afirmando que Deus é o princípio de tudo e que a vida do homem deve buscar harmonizar-se com sua divindade e com todas as outras criações divinas. O divino presente em cada coisa que existe sobre a terra revela sua essência. O homem deve procurar esta essência divina no interior de si mesmo para então cultivá-la e exteriorizá-la em suas criações. Jesus é para Froebel um exemplo da luta espiritual que devemos travar em busca de nossa perfeição e da nossa união com Deus e a Natureza. Esta lei eterna e divina, à qual Froebel se refere, guia o desenvolvimento de todos os seres na Terra. Apesar das particularidades que envolvem o desenvolvimento dos seres e os fenômenos da Natureza, nós podemos, por meio do acompanhamento desse processo, compreender como se dá o desenvolvimento humano.
Por isso encontraremos em toda a obra de Froebel a constante comparação do desenvolvimento da criança com o das sementes; a criança para Froebel é como uma semente a ser cultivada e, conseqüentemente, o educador alemão procurará a harmonização do homem com a Natureza desde a mais tenra idade. Para Froebel o princípio a partir do qual todos os homens seriam iguais se encontrava na relação entre infância e Natureza. Somente conhecendo as relações entre infância, Natureza e Deus é que poderíamos presentear cada indivíduo com o autoconhecimento e a aceitação de seu lugar em nossa sociedade. Como conseqüência desse processo teríamos uma sociedade melhor. Esta relação entre Deus, Natureza e Humanidade era representada por Froebel (1887) por meio de um triângulo. Os três elementos dessa tríade seriam inseparáveis uns dos outros. Essa tríade formaria o que Froebel denominava "unidade vital", na qual a educação deveria estar alicerçada para poder conduzir o indivíduo ao desenvolvimento pleno. Dentro do princípio da "unidade vital" os processos de interiorização e exteriorização seriam fundamentais, pois levariam à clarificação da consciência ao autoconhecimento, ou seja, à educação. A formação e o desenvolvimento ocorrem graças ao que o homem recebe do mundo exterior, mas só se efetivam de modo eficaz quando se sabe, por assim dizer, tocar no seu mundo interior. Este processo chamado de interiorização consiste no recebimento de conhecimentos do mundo exterior, que passam para o interior, seguindo sempre uma seqüência que deve caminhar do mais simples ao composto, do concreto para o abstrato, do conhecido para o desconhecido. A atividade e a reflexão são os instrumentos de mediação desse processo não-diretivo, o que garante que os conhecimentos brotem, sejam descobertos pela criança da forma mais natural possível. O processo contrário a este é chamado de exteriorização, no qual a criança exterioriza o seu interior. Para que isso ocorra, a criança necessita trabalhar em coisas concretas como a arte e o jogo, excelentes fontes de exteriorização. Uma vez exteriorizado seu interior, a criança passa a ter autoconsciência do seu ser, passa a conhecer-se melhor: é assim que a educação acontece.
Para Froebel a educação deveria estar alicerçada na "unidade vital" (Homem, Deus e Natureza) e os processos de exteriorização e interiorização deveriam nortear qualquer metodologia que viesse a ser utilizada com as crianças.
Estes processos de exteriorização e interiorização precisam da ação para mediá-los, necessitam de vida e atividade, não de palavras e conceitos. Froebel via na exteriorização e na interiorização a concretização de algo natural na criança, devendo o educador estar sempre atento a esses dois processos, pois toda a atividade externa da criança é fruto de sua atividade interna.
Fröebel afirma em sua obra A educação do homem (1826) que "a educação é o processo pelo qual o indivíduo desenvolve a condição humana autoconsciente, com todos os seus poderes funcionando completa e harmoniosamente, em relação à natureza e à sociedade. Além do mais, era o mesmo processo pelo qual a humanidade, como um todo, originariamente se elevara acima do plano animal e continuara a se desenvolver até a sua condição atual. Implica tanto a evolução individual quanto a universal".
Esse conceito de parte-todo foi um dos mais bem desenvolvidos por Fröbel. Cada objeto é parte de algo mais geral e é também uma unidade, se for considerado em relação a si mesmo. No campo das relações humanas, o indivíduo é, para ele, uma unidade, quando considerado em si mesmo, mas mantém uma relação com o todo, isto é, incorpora-se a outros homens para atingir certos objetivos.
terça-feira, 3 de abril de 2012

Algumas escolas estão a aplicar técnicas de meditação nas suas aulas, tal é o exemplo de uma escola de Vancouver que inicia as manhãs com um exercício de respiração meditativa - "Técnicas simples de meditação, estão a ajudar as crianças a conectarem-se a si próprias para conseguirem prestar melhor atenção e tornarem-se mais amáveis, afirma o neurocientista Richard Davidson"
terça-feira, 27 de março de 2012

Dia 27 de março - Dia do Teatro- Evoé!
TEATRO NA EDUCAÇÃO
Os cursos de teatro não existem apenas para aquelas crianças desenvoltas e desinibidas. Segundo a psicóloga clínica e educacional e professora de Artes, Betina Rugna, mesmo para os não-aspirantes à profissão de ator, a prática teatral tem sua importância pela "grande contribuição ao desenvolvimento e formação da personalidade da criança."
O teatro não tem contra indicação nem pré-requisito. "Além de promover o autoconhecimento e desenvolver a autoconfiança, fazer teatro é um exercício de escuta do próximo", enumera a coordenadora e orientadora cênica da Casa do Teatro em São Paulo, Luciana Barboza. "Todo mundo deveria fazer teatro pelo menos uma vez na vida!", convida Betina. "As crianças que fazem teatro tem uma coisa especial, uma percepção melhor do mundo", completa.
Não à toa o teatro é uma das manifestações artísticas mais antigas do homem: suas origens remontam há mais de 4500 anos, quando ainda estava ligado a práticas rituais e religiosas, como as peças sagradas no Egito Antigo sobre o mito dos deuses Osíris e Isis. Está na nossa essência representar. E começamos desde cedo.
Os pequenos passam a infância toda representando: "No jogo do faz de conta, a criança passa por várias etapas do teatro: é o personagem que ela quer, no cenário que ela escolhe, com o figurino que improvisa ou imagina. Quando faz a história acontecer, ela também está dirigindo a cena", exemplifica Betina.
Tão notórios são seus benefícios para a formação de crianças e jovens, que o teatro foi reconhecido como importante conteúdo escolar pelos Parâmetros Curriculares Nacionais, documentos que orientam o trabalho dos professores do Ensino Básico. Inclusive, já se discute a inclusão da disciplina na grade curricular obrigatória das escolas brasileiras.
Enquanto isso, os pais podem procurar cursos de teatro extracurriculares para proporcionar essa rica experiência ao filho. Geralmente, os cursos são compostos por uma série de exercícios e atividades lúdicas e ao final de cada período, o grupo pensa, monta e apresenta uma peça de teatro.
Se a escola do seu filho não oferece essa opção e um curso extracurricular não cabe no orçamento, tente organizar em conjunto a montagem de uma peça teatral. Os professores de todas as disciplinas podem contribuir e os pais podem ser convidados a ajudar apoiando a produção de figurinos e de cenários, por exemplo. Fique atento também aos cursos e oficinas gratuitos eventualmente oferecidos por grupos de teatro ou pela prefeitura de sua cidade.
Veja 10 motivos para seu filho fazer teatro:
Para ler, clique nos itens abaixo:
1. Aumenta autoestima
2. Melhora a timidez
3. Aprimora habilidade de relacionar-se com os outros
4. Faz com que a criança se conheça mais
5. Desenvolve consciência corporal e coordenação motora
6. Ensina a trabalhar em grupo
7. Desenvolve habilidades cognitivas como memória e raciocínio
8. Expande o repertório cultural
9. Melhora desempenho escolar
10. Propicia o fazer poético
(educarparacrescer.abril.com.br)
domingo, 25 de março de 2012
Punição e castigo-métodos para formar pessoas obedientes e heterônomas


Preparar um ser-humano para ser autônomo moral e intelectualmente, a ter uma consciência crítica da realidade que o cerca,a se conhecer, a saber agir, ter atitude, enfim, para que possamos emancipar uma pessoa , a educação precisa aprender a intermediar pontos de vista e deixar a criança decidir e a fazer escolhas, e legitimar o caminho feito, mesmo que precisemos reorientá-lo Punições, recompensas e castigos apenas formam seres dependentes dos outros-heterônomos-, não criativos, submissos e obedientes.
A essência da autonomia é que as crianças tornem-se aptas a tomar decisões por si-mesmas.
Punições , castigos e recompensas reforçam a heteronomia das crianças.
Que tipo de educação em casa e na escola queremos dar ?
Que ser-humano queremos formar?
Palmada educa?
Alguns pais estão resgatando o autoritarismo da educação tradicional, ameaçando ou batendo nos filhos, com o falso argumento de que a nova geração precisa de disciplina e de obediência. Algumas escolas particulares também fazem propaganda de seu método rigoroso e disciplinador, atraindo principalmente os pais fracassados e autoritários camuflados desejosos pela terceirização da educação dos filhos.
A ‘pedagogia da palmada’ vem influenciando até mesmo alguns especialistas que acreditam que é preciso colocar freio na indisciplina. Marilda Lipp, doutora em psicologia do comportamento, escreveu um artigo cujo título era justamente “A palmada educa” (Veja, 01/05/96). Embora a psicóloga ressaltasse que a criança não deve ser punida na primeira vez que erra; que os pais devem sempre explicar o porque ela deve apanhar e alertá-la sobre as conseqüências de seus atos, a verdade é que o artigo tinha um tom, começando pelo título, de que a palmada tem o poder de educar.
Em verdade “a palmada deseduca”. Esse é o slogan da campanha que o Laboratório de Estudos da Criança (LACRI), da Universidade de São Paulo, quer erradicar através de uma petição, desestimular pais e educadores a bater nas crianças, nem que seja eventualmente. A discussão sobre castigos corporais também chegou a Brasília. A Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados está mobilizando seminários sobre o tema. O presidente da comissão, deputado Marcos Rolim (PT-RS), quer desencadear uma campanha para conscientizar a população e apresentar experiências internacionais.
Países de 1º. mundo, hoje, “autorizam” pais e professores de usarem os antigos instrumentos de castigos (ou tortura) como palmatória, chicotinho, varinha, corda, cinto, etc. Uma amiga que viveu durante um ano na cidade de Lion, França, disse-me que são vendidos chicotinhos especialmente feitos para bater em crianças desobedientes. A Inglaterra que ficou conhecida internacionalmente pela experiência libertária da Escola de Summerhill, só suspendeu o castigo físico do seu sistema educacional em 1989. Recentemente (2004) o parlamento inglês voltou a discutiu a necessidade de aplicar castigos físicos como medida educacional legítima.
Nos países escandinavos, embora a educação seja rígida, existem leis que proíbem os pais usar violência contra seus filhos. As crianças podem fazer denúncias, e assistentes sociais ficam de plantão para evitar essa pratica.
Não faz muito tempo que Cingapura, país de regime político autoritário e um sistema financeiro importante, localizado na Ásia, impôs uma pena judiciária de chibatadas a um jovem norte-americano que transgrediu as severas leis daquele país.
Apesar do liberalismo ‘oficial’ e aparente permissividade educativa dos norte-americanos, a maioria da população dos EUA consultada não apenas aprovou a pena judiciária de Cingapura para o crime de tráfico de drogas como gostaria que sua justiça também fizesse uso de castigos físicos para transgressores da lei. Para reforçar essa atitude repressiva, uma pesquisa divulgada declara que 61% dos pais norte-americanos aprovavam castigos físicos como uma forma de punição válida, e 57% disseram acreditar que até mesmo bebês de seis meses podem merecer uma surra[1].
Palmada em casa e palmatória na escola
O castigo físico em crianças foi introduzido no Brasil pelos padres jesuítas no século XVI, causando indignação nos indígenas, que repudiavam o ato de bater em crianças. A correção, como explica a historiadora Mary Del Priore, no livro História das Crianças no Brasil, era considerada uma forma de amor. O excesso de carinho devia ser evitado porque fazia mal aos filhos. A relação entre os pais e suas crianças teria de ser o espelho do amor divino, segundo o qual, amar é castigar os erros e dar exemplo de vida correta. Os castigos disciplinares devem ser aplicados não apenas para corrigir as chamadas ‘malcriações’ e ‘birras’ como também serve para sacudir a preguiça que é considerada culpada de muitos erros e ignorâncias desde cedo no espírito da criança.
A perspectiva judaico-cristã sempre foi favorável por uma educação por meio de castigos físicos. A historiadora comenta que "a partir da segunda metade do século XVIII, com o estabelecimento das chamadas aulas régias, a palmatória era o instrumento dessa época, dirigido aos professores”.
“Ao expulsar os jesuítas de Portugal e de suas colônias, em 1760, o Marquês de Pombal pôs fim à principal forma de educação vigente no Brasil. Segundo o pesquisador Luiz Kelly Martins dos Santos, a Reforma Pombalina foi catastrófica porque era um plano político, não pedagógico."O alvará assinado pelo rei de Portugal e aplicado no Brasil (seria precursor da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Brasileira) introduziu normas punitivas a professores e alunos - nestes últimos, podia-se aplicar castigos físicos como palmatória e ajoelhar-se no milho"[2].
No Rio de Janeiro onde hoje existe um Museu da Tecnologia da Educação - que faz parte do Instituto de Pesquisas Avançadas em Educação (Ipae) -, levantou uma pesquisa histórica sobre a palmatória. Curioso é que "o instrumento que está exposto e faz parte do nosso acervo é inglês, e não brasileiro", declara o pesquisador Martins dos Santos, um dos organizadores do museu, ao explicar a diferença do formato. "A palmatória usada no Brasil era uma haste que terminava em uma peça circular de madeira que, por sua vez, possuía furos em forma de cruz. Quem apanhava com o instrumento ficava com bolhas na mão similares aos desenhos dos furos".
A palmatória tornou-se um símbolo de disciplina na educação da geração do Brasil Colonial. Mas foi ainda muito usada depois da Independência. "Era comum nas formaturas de fim de ano os alunos presentearem os professores com palmatórias feitas de madeira compensada ou papelão, como forma de mostrarem submissão à autoridade", afirma Martins dos Santos.
Muitos dos instrumentos expostos no Museu da Educação ainda são usados hoje em dia. Basta ler os jornais da capital e principalmente do interior do Brasil para encontrarmos notícias sobre diversos tipos de castigos físicos, puxões de orelha, obrigar a criança ajoelhar-se no milho, e casos escabrosos que configuram crime de tortura realizado em casa ou em escola.
A ideologia e eficácia dos castigos físicos
No estudo de Michel Foucault (1977) o uso do castigo físico faz parte de um sistema de controle de uma sociedade investida do sentido da ordem e da lei. A vigilância enreda a todos, e não apenas as crianças. As instituições do século 18, ligadas por uma espécie de ‘rede’ de crenças, valores e hábitos, geraram um sistema de vigilância, controle e punição desde a família, até prisão, passando pela escola ou serviço militar. A educação tradicional era autoritária porque podia impor, todo o seu saber e poder para “torcer o pepino desde pequeno”. Era um sistema educativo que acreditava ser preciso formar um cidadão “disciplinado” para ser “dócil” a nova ordem moderna. Mas em nossa época denominada pós-moderna querer resgatar o castigo físico como método educativo, além de ser um contra-senso é uma prática fora de lugar. Os pais que ousam bater nos filhos, no fundo, carecem de palavras e de espírito democrático. Funcionam como o terrorismo que através de seu ato – bruto, rude, bárbaro - pretendem eliminar o sentido das palavras e o valor do diálogo na construção do verdadeiro sujeito. Mais ainda, eles acreditam que são donos do corpo dos filhos assim como era o senhor de escravos; alguns professores ainda vivem no mundo delirante dos anos 70, acreditando que podem dirigir os corpos, os corações e o futuro dos seus alunos.
Alain [Émile Chartier -1868-1951) outro pensador francês, embora sendo conservador e positivista, já em sua época recomendava, primeiro, aos pais “educar”, e a escola “ensinar”. Cada qual deve fazer bem a sua função. Os pais devem “educar” com firmeza, “mas não com pancadas”.
Há controvérsias se deve ou não usar de vez em quando uma palmadinha, como recurso último para interromper a repetição das birras ou ‘malcriações’ infantis que indicam ruptura dos limites aceitáveis. A posição favorável ao uso de “palmada” sinaliza que esse natural uso da “a mão aberta” (e não o uso de instrumentos como o cinto, o chicote, que extrapolariam o sentido de correção educativa) tem intenção de ser um ato complementar à educação por palavras. Todavia atualmente existe a tendência no mundo ocidental que a palmada não funciona como método educativo, pelo contrário, causa ressentimento, dor, ou seja, pode causar um efeito contrário à educação. O ato de bater reforça, sem dúvida, o autoritarismo e sadismo do mais forte sobre o mais fraco, no caso, a criança, termina ficando ressentida e com raiva. Existe suspeita de que o ato de bater pode levar o agressor a uma compulsão à repetição, isto é, a adquirir prazer e gozo sádico em bater.
O professor da Faculdade de Educação da USP e escritor de vários livros sobre educação e ensino escolar, Julio Groppa Aquino e a psicóloga e colunista da Folha de S. Paulo, Rosely Sayão, disseram em uma mesa-redonda em Maringá que, quando bem posicionados no seu papel de pai e mãe não precisam usar de violência para corrigir erros ou evitar reincidências dos filhos. Por exemplo, existem atividades passíveis de “negociação”, como a hora de chegar em casa, mas existem as “obrigatórias” - tais como tomar banho ou ir à escola mesmo não gostando - dependem do posicionamento dos pais como autoridade para que os filhos obedeçam. Ou seja, se os pais perderam o autocontrole e partem para agressões físicas, é porque já vinham abdicando o lugar de autoridade necessário aos pais.
Vivemos numa época de crise de paradigmas, inclusive no campo da educação. Ninguém tem a verdade e existe confusão quanto qual a melhor maneira de educar. A falta de bom senso de alguns pais, bem como também a contradição entre a teoria e a prática de outros supostamente melhor preparados são visíveis e comentados. Pena que nunca os pais ficam sabendo diretamente sobre o seu erro, salvo quando são chamados na escola ou quando vão à terapia. Conhecemos educadores profissionais que dizem serem contra o castigo físico, mas o desmentem na prática. Quando tomam consciência sentem culpa. Há quem não usa castigo físico, mas abusa de castigo psicológico, que pode ser ter efeito mais traumático para a formação da personalidade da criança. Castigo psicológico não deixa de ser também uma forma de violência que marca para sempre a alma do sujeito com sofrimento, embora deixe intacto corpo da vítima.
Para a ABRAPIA (Associação Brasileira Pais, Infância e Adolescência), violência psicológica é rejeição, depreciação, discriminação, desrespeito, desqualificação, negligência, bullying (intimidação, perseguição e isolamento da criança), omissão de responsabilidades e punições exageradas. Por exemplo, punir uma criança para ficar em casa enquanto toda a família viaja de férias, é uma violência psicológica que em nada contribui para a sua educação. Nesse caso, no fundo, a motivação básica dos pais não é educar, mas projetar sua raiva, se auto-enganando que estão fazendo a coisa certa.
Quem castiga esquece, quem é vítima jamais esquece. Uma criança pode receber um castigo e não entender qual é a ligação dele com seu erro. Por isso, sempre temos que explicar a diferença entre o “certo” e o “errado”, e criar condições para ela saber antecipar os efeitos de seus atos e poder refleti-los depois. Basil Bernstein demonstrou que as explicações “elaboradas” são mais entendidas pela criança do que as simples ordens e proibições, chamadas por ele de “código restrito”. Ou seja, segundo o sociolingüista, a criança atende melhor um pedido do tipo “por favor, abaixo e som, que estou atendendo ao telefone”, do que apenas a ordem seca: “Desligue isso”.
Educa bem os que usam bem as palavras, atos, acompanhados de olho-no-olho, de silêncio grávido de sentido; acertam na educação dos filhos os pais que sabem – e tem coragem – de escutar. Pais que falam palavras vazias, que fingem ser o ‘amigão’, abdicando-se de sua autoridade de pais, podem estar cometendo uma fraude educativa. Castigos e punições, como também dar prêmios sem merecimento, podem causar efeito negativo na formação do futuro cidadão.
Equilibrar palavras e atos assertivos, sem recorrer o uso de violência física, é fazer da educação uma arte e nova ética para uma nova geração que poderá ser mais democrática e mais feliz.
Por RAYMUNDO DE LiMAPsicanalista, Professor do Departamento de Fundamentos da Educação (UEM) e Doutorando na Faculdade de Educação (USP)
palmadasexta-feira, 9 de março de 2012
A Arte no lixo e no luxo:perspectivas de Vik Muniz e Gustav Klimt


Vik Muniz (São Paulo, 1961) fotógrafo, desenhista, pintor e gravador.Usou material reciclado de lixo para montar suas obras no proprio local onde os catadores trabalhavam, no aterro sanitário.E não só só isso.Seus modelos foram os próprios trabalhadores de lá, os catadores de lixo, pessoas com a auto-estima e a dignidade humana soterradas pelas montanhas de lixo por onde caminhavam, mostrando uma vida miserável , sem saída, sem oportunidade de transformação.Retratou um Brasil excludente e desigual, expressando uma arte humanitária envolvida numa denúncia social a fim de levar mais dignidade e transformação para as pessoas.Seu documentário mostrou o trabalho social que ele fez lá em Gramacho.Vik vibrava com a transformação e valorização do ser humano pela arte, não só das pessoas que ele envolveu, mas sentia essa transformação nele também, tal o poder mágico de mudança que a arte tem .
Assim, de perto , o material que vemos de Vik é o lixo material e o "lixo" humano dos dramas individuais de cada um.Ao distanciarmos um pouco do material, vemos um cenário social de excluídos e miseráveis do Brasil.
Gustav Klimt como Vik veio de família humilde.Acreditava na libertação pela arte e tocava em tabus sociais com nudez, morte, erotismo.Explorou muitas figuras femininas indo além do sensual e chegando no sexual, foi taxado de pornográfico.Nasceu em 1862 no subúrbio de Viena, Áustria.Klimt se sobresaiu desenhando um painel no Teatro Imperial de Viena.Mais tarde para representar a Filosofia, a Medicina e a Jurisprudência, na Universidade de Viena,adotou o estilo art nouveau, provocando espanto entre os tradicionalistas.Se rebelou contra a academia e usou mosaicos e composições geométricas .Fez quadros de estilos impressionistas.
Teve um afase dourada, onde utilizava ouro para composição dos dourados.De perto, Klimt usava o luxo, o ouro, de longe retratavas os tabus por expressar a liberdade do nu feminino como forma de arte.Evocava felicidade , êxtases e a eternidade.
Em ambas sentimos que toda obra de arte é um distanciamento que espelha nossas paixões, nossos dramas, amores, misérias, egoísmos, nossa vida.Sempre colocando -nos em movimentos, levando-nos de um lugar á outro,com seu poder de transgressão, conscientização e emancipação, pois após apreciarmos quaisquer das obras de ambos os artístas não poderemos mais ser os mesmos, já estamos transformados.
O "Lixo Extraordinário" de Vik nos arremete mais ao contexto social no qual estamos inseridos , nos espelhando num plano coletivo.Já Klimt , sem se preocupar com espaço ou tempo nos convida à viagens em paraísos artificiais da Beleza e da Eternidade, através da inocência e liberdade.
Essas mesmas perspectivas que Vik observou , experimentamos nas nossas vidas também, em nossa capacidade de auto-conhecimento e de olharmos para o outro e o cenário aonde desenvolvemos nossas vidas.
E as duas perspectivas leva-nos à consciência crítica , arrebatamento , transformação e autonomia.E viva a arte para aperfeiçoar a vida!E viva a arte na educação!
terça-feira, 6 de março de 2012
Uma vez um garotinho foi para a escola. Ele era bem novinho. E a escola era
uma escola bastante grande. Mas quando o garotinho descobriu que podia
chegar até a sua sala simplesmente atravessando a porta de entrada ele ficou
feliz e a escola não pareceu tão grande.
Uma manhã, depois que o garotinho já freqüentava a escola por um tempo, a
professora disse. “Hoje nós vamos desenhar uma figura”. “Que bom!” pensou
o garotinho. Ele gostava de figuras. Ele podia desenhar figuras de todos os
tipos: leões e tigres, galinhas e vacas, trens e barcos... E ele pegou sua caixa
de lápis de cor e começou a desenhar.
Mas a professora disse “Esperem! Ainda não é hora de começar!” E ela
esperou até que todo mundo estivesse pronto.
“Agora”, disse a professora. “Nós vamos desenhar flores.” “Que bom!” pensou
o garotinho. Ele gostava de desenhar flores. E ele começou a fazer lindas
flores com seus lápis cor de rosa e laranja e azul.
Mas a professora disse. “Esperem! E eu vou mostrar como”. E a flor era
vermelha com um cabo verde. “Pronto”, disse a professora. “Agora vocês
podem começar”.
O garotinho olhou para a flor da professora e olhou para sua própria flor.
Ele gostava mais da sua do que a da professora. Mas ele não disse isso.
Ele simplesmente virou o seu papel e fez uma flor igual à da professora. Era
vermelha com um cabo verde.
Outro dia, quando o garotinho tinha aberto a porta sozinho, sem ajuda
de ninguém, a professora disse, “Hoje nós vamos fazer alguma coisa com
barro”. “Que bom!” pensou o garotinho. Ele gostava de barro. Ele podia fazer
várias coisas com barro: cobras e homens de neve, elefantes e ratos, carros e
caminhões... E ele começou a amassar e cutucar sua bola de barro.
Mas a professora disse, “Esperem! Ainda não é hora de começar!” E ela
esperou até que todos estivessem prontos. “Agora”, disse a professora. “Nós
vamos fazer um prato.” “Que bom!” pensou o garotinho. Ele gostava de fazer
pratos. E ele começou a fazer alguns de todas as formas e tamanhos.
E então a professora disse. “Esperem! E eu vou mostrar como.” E ela mostrou
a todos como fazer um prato fundo. “Pronto”, disse a professora, “Agora vocês
podem começar”.
O garotinho olhou para o prato da professora, e olhou para o seu próprio
prato. Ele gostava dos seus mais dos que os da professora. Mas ele não disse
isso. Ele juntou todo o barro numa grande bola novamente e fez um prato igual
ao da professora. Era um prato fundo.
E logo o garotinho aprendeu a esperar e observar e fazer as coisas
exatamente como as da professora. E logo ele não fazia mais suas próprias
coisas. Então aconteceu que o garotinho e sua família mudaram para outra
casa, em outra cidade, e o garotinho teve que ir para outra escola.
Esta escola era ainda maior do que a outra. E não havia porta de fora para
dentro de sua sala. Ele tinha que subir grandes degraus andar por um longo
corredor para chegar à sua sala.
E no seu primeiro dia a professora disse: “Hoje nós vamos fazer uma
figura.” “Que bom!” pensou o garotinho e esperou que a professora lhe
dissesse o que fazer. Mas a professora não disse nada. Ela simplesmente
andou ao redor da sala.
Quando ela se aproximou do garotinho ela disse. “Você não quer fazer uma
figura?” “Sim”, disse o garotinho. “O que nós vamos fazer?” “Eu não sei até
que você faça”, disse a professora. “De que jeito devo fazer?” perguntou o
garotinho. “Do jeito que você quiser”, disse a professora. “De qualquer cor?”
perguntou o garotinho. “De qualquer cor”, disse a professora. “Se todos
fizerem a mesma figura, e usarem as mesmas cores, como vou saber quem fez
o quê e qual é qual?” “Eu não sei”, disse o garotinho. E ele começou a fazer
uma flor vermelha com um cabo verde.
(Helen E. Buckley)

