
O fundamento do Yoga, como de toda espiritualidade autêntica, é uma
ética universal.
Mas como a ética e a moral tem influenciado, ou não, nossas vidas?Será que conseguimos discernir entre as duas?Sugiro que antes de prosseguir na leitura, façamos uma inspiração acessando nossos conhecimentos prévios para tentar responder essas questões antes de continuar .Minha intenção é compartilhar minhas novas descobertas após uma melhor compreensão desses significados. Pois até então, achava que moral estava ligada á religião . Tinha também da moral uma referência do moralismo, os grupos que perdem a conexão com o seu tempo, congelando suas crenças , perdendo o diálogo com a realidade. Assim, querendo não fazer parte desses grupos, e baseada no conceito de arte de Oscar Wilde: “a arte não é moral nem imoral, mas amoral” , me intitulava sendo"amoral" e portanto sempre optava por usar a palavra ética.Resolvi me voltar novamente á esses princípios examinando-os na interação de meus papéis de professora de yoga, atriz e de mãe .
Antes de entendermos a moral yogi vamos compreender melhor as semelhanças e as diferenças dessas duas palavrinhas.A tendência a serem tratadas como a mesma coisa é porque tem etimologicamente o mesmo significado, embora as origens são distintas:
Moral vem do latim "mores", que quer dizer costume, conduta, modo de agir; Ética vem do grego "ethos" , que quer dizer costume, modo de agir.Moral é um conjunto dos valores , de certo e errado, bem e mal, justo e injusto, permitidos ou proibidos no indivíduo, sociedade e grupo,portanto como costumamos ver, o mesmo fato pode ser avaliado certo por um grupo e errado por outro.Esses valores são adquiridos pela educação, pela tradição e pelo cotidiano.É o objeto de estudo da ética.Portanto ao falarmos em "ética socialista";"ética católica", "ética protestante", "ética nazista", confundimos ética com moral.É a ciência dos costumes.É eminentemente prática.A Moral tem caráter obrigatório.
Ética é a ciência da moral, e a tem como seu objeto de estudo. É o conjunto de valores que orientam o comportamento do homem em relação aos outros homens na sociedade em que vive, garantindo, o bem-estar social,ou seja, ética é a forma que o homem deve se comportar no seu meio social. A ética avalia os costumes, aceitando-os ou reprovando-os. É a discussão da moral, a examinadora da moral.É a ciência que estuda o comportamento moral dos homens na sociedade.É teorica e reflexiva.
Vamos ver um exemplo, O protocolo de Quioto:
A primeira reunião entre os países foi em 1997.Cada país levou sua moral de conduta em relação á emissão de gases. Esperaram os seis "maiores" países aderirem se reunindo todos os anos até fecharem um documento final em 2004.Os Estados Unidos ficou de fora, não é novidade!Pois bem, enquanto não saia o documento final, o estudo da moral de cada país para buscar a melhor forma de agir coletivamente, avaliando os costumes, é o exercício da ética entre eles, procurando uma conduta final de ação (moral) de povos e governantes sobre a emissão de gases.O documento assinado em 2004 , transformou-se na nova conduta -moral- de todos. Assinado, ele vira um documento de ordem moral,e como toda moral, basta cumprir.
Assim, a ética muda as morais e as moralidades no seu exercício das situações.
Toda cultura, grupos e sociedade institui uma moral. Porém, a simples existência da moral não significa a presença explícita de uma ética, entendida, como vimos, de filosofia moral, ou seja, uma reflexão que discuta, problematize e interprete o significado dos valores morais.Cabe aqui lembramos dos países Teocráticos, onde a religião e o Estado estão juntos na administração da sociedade ,tornando quase impossível o exercício da ética nesses países.Alguns exemplos são como no Vaticano, regido pela Igreja católica e no Irã, que é controlado pelos aiatolás, líderes religiosos islâmicos .É na democracia e nos Estados Laicos que temos um maior exercício dela.Pelo menos na teoria!
Os conceitos de leis e morais nem sempre andam juntos .Vemos algo que é imoral e ilegal como a pedofilia .
E algo imoral e legal como os salários dos políticos.Cabe lembrarmos aqui dos países Cleptocraticos, Estados governados por ladrões, como o Brasil agora.
Ao palestrar aqui em São Paulo, Dalai Lama disse que
"o desenvolvimento de uma ética secular é extremamente necessário à humanidade. Nós vemos aqui em São Paulo um número cada vez maior de prédios e prédios cada vez mais altos. Mas ao mesmo tempo, na perspectiva de valores internos, pode ser visto um declínio, o que mostra um contraste. É aí que vemos corrupção, injustiças sociais e esses acontecimentos demonstram uma falta de valores morais, uma falta de fortalecimento de tradições éticas. E também existem no nível de relações internacionais, os países mais poderosos que tem uma cultura autoritária sobre os mais frágeis" e continua:
"Uma pergunta que faço a vocês: aqui no Brasil, qual é o tamanho da distância entre ricos e pobres? Vocês estão felizes com esse hiato? Outra questão muito importante é a corrupção. Ela entrou pelo mundo todo, oriente e ocidente. Como é aqui no Brasil, ela existe? É pequena ou grande? Se olharmos para a situação da Índia, veremos que é hoje um pais extremamente democrático. A democracia se instalou firmemente na Índia. O poder judiciário é completamente independente e há total liberdade de imprensa. Diferentemente do que ocorre na China. Na Índia o governo é eleito pelo povo. Os governantes são responsáveis perante a população. Comparado com regimes totalitários a democracia é muito melhor, mas ainda assim existe a corrupção.Então, é necessário, por meio da educação, criar um sentido de responsabilidade e preocupação com o outro, um sentido de que formamos uma comunidade e temos responsabilidade perante essa comunidade. E isso faz aparecer um sentimento de igualdade entre os seres. É importante registrar que para desenvolver esse tipo de valor é necessária uma visão de longo prazo, e é necessário reproduzi-la no sistema educacional, começando desde a infância e chegando até a universidade. Os valores internos fazem parte de uma vida feliz e são fundamentais para que uma pessoa seja feliz, par que uma família seja feliz, para que um país seja feliz e para que um planeta seja feliz.”Cabe a nós uma auto-análise investigativa se nossos modos de agir e nossos costumes são totalmente nossos, ou nossos até que ponto?Sendo inevitavelmente moldados pela sociedade cultural na qual nascemos, importamos uma moral que as vezes não combina conosco.Até onde fazemos nossas escolhas?
Infelizmente a maior parte do mundo impõe uma moral capitalista em detrimento com a manutenção e celebração da vida.
Em sua crítica radical á sociedade capitalista, Herbert Marcuse argumentava que a super abundância das sociedades capitalistas deixara a classe trabalhadora impotente pela produção de um edifício de “necessidades falsas”, por meio dos efeitos da propaganda, por exemplo, que dominava os indivíduos de fato ao privá-los das verdadeiras escolhas.
"As pessoas reconhecem a si mesmas em seus artigos de consumo; elas descobrem as próprias almas em seus automóveis, seus aparelhos de som, suas casas de vários níveis, em seus apetrechos de cozinha." (Herberte Marcuse,Homem Unidimensional)
Realmente lapidar nosso modo de agir com a nossa consciência não é tarefa fácil.
Lawrence Kohlberg , professor, conhecido pela sua teoria dos níveis de desenvolvimento moral , acreditava que este ocorria ligado ao desenvolvimento cognitivo, e não simplesmente por a pessoa crescer e ficar mais velha.
Identificou três níveis de desenvolvimento moral, cada um, por sua vez, compreendendo duas etapas:
No primeiro nível , “pré convencional” as noções de certo e errado são determinadas pela autoridade e pela possibilidade da punição; (Como eu posso evitar a punição?)
na segunda etapa, pelo fato de a ação ser ou não recompensada.(O que eu ganho com isso?)
No “nível convencional”,que é alcançado pela maioria dos adolescentes e dos adultos, o raciocínio moral está intimamente ligado à participação em grupos sociais mais amplos.Na primeira etapa desse nível, considera-se boa ação aquilo que merece a aprovação dos outros;(Orientação "bom moço"/"boa moça") na segunda etapa, o que está de acordo com a lei e o bom comportamento.(Moralidade "Lei e Ordem")
O nível “pós-convencional”, na primeira etapa, a visão de mundo de quem está neste estágio é a de que no mundo existem pessoas de diferentes opiniões, direitos, e valores. O correto é apoiar os direitos, valores e contratos jurídicos de uma sociedade, mesmo quando estão em conflito com as normas concretas do grupo .Orientação "Contrato Social"
Já o raciocínio moral na segunda etapa desse nível, que na visão de Kohlberg só é alcançado por um quinto da população, quase nunca alcançado,é o dos princípios universais éticos. As leis e acordos sociais só são válidos na medida em que derivam de tais princípios. Envolve a referência a
noções universais como
justiça,
dignidade humana, a santidade da vida humana, e assim por diante.Princípios éticos universais (Consciência principiada)
Por isso, para ajudar as pessoas a avançarem para níveis mais altos , como John Dewey, filósofo e pedagogo americano aconselhou, é preciso construir sistemas de educação nos quais as pessoas estejam ativamente implicadas em seu próprio aprendizado.
Encontramos essas noções universais de moral de Kohlberg , também no yoga.
Os dois primeiros passos no caminho do yoga são dados afinando nossas escolhas pessoais e coletivas de conduta moral e ética: são os Yamas e os Nyamas.
Os
Yamas regula as interações sociais do yogi harmonizando seu relacionamento com os outros,os demais seres vivos e o meio ambiente.Significa domínio. Desempenham o controle dos impulsos naturais, que se manifestam através dos cinco órgãos de ação (karmendriyas): braços, pernas, boca, e órgãos sexuais e excretores.Comparado às raízes da árvore, porque é a fundação a partir da qual cresce todo o resto. Aquilo de não devemos fazer.São 5 proscrições :
1.Ahimsa:não -violência; incluindo alimentação vegetariana;
2.Satya:veracidade, não mentir;
3.Asteya:não roubar; não me apropriar do que não é meu;
4.Aparigraha:não cobiçar;não adquirir mais que o necessário;
5.Brahmacharya:controle do prazer sensual
Os
Nyamas organiza a vida pessoal , são as cinco prescrições psicofísicas. Essas atitudes cumprem a função de domínio sobre os cinco órgãos de percepção (jñanendriyas): olhos, ouvidos, nariz, língua e pele. Esse controle dos sentidos aponta à organização da vida pessoal e interior do praticante, harmonizando o seu relacionamento com a vida em geral e com a Realidade transcendente.Comparada ao tronco da árvore, pois vem depois das raízes(yamas). São eles:
1.Sauchan:limpeza, purificação, eliminação de impurezas do pensamento;
2.Santosa:contentamento, estado interior de alegria permanente independente dos fatores externos;
3. Tapas:esforço sobre si próprio, disciplina, auto-superação;
4.Svadhyaya:estudo das escrituras e seu auto-estudo proporcionando um auto-conhecimento;
5.Ishvarapranidhana:entregar incondicionalmente as ações e seus frutos a uma vontade superior à sua própria, entrega a Ishvara (Senhor, Deus pessoal).Pode entender-se como auto-aceitação no momento presente ou, ainda, como serviço à Humanidade.
E a ética yogi?Seria certo usarmos tanto a palavra ética ou moral yogi?E como discernir a ambas em sua aplicabilidade?
Ora, se sigo a moral yogi há muitos anos, descobri que não posso ser amoral, embora a amoralidade também permeie algumas ações minhas. Essa suposição se faz correta somente no meu papel de atriz, pois o teatro é um espaço livre onde todas as coisas podem ser ditas, onde todos os dramas da humanidade expressa-se com morais diversas, para o espelhamento e inevitável auto-conhecimento da humanidade.Assim, no palco deixo algumas vezes minha moral de lado e visto outra , desapegadamente, através da necessidade do personagem.Acabada a peça, volto a agir deliberadamente com minha moral que é a mesma como professora de yoga, pois se o yoga é para mim uma maneira de se viver, eu me esforço para seguir conivente com essa ética universal .Como vimos que a moral tem caráter obrigatório, estabelecido para ser cumprido, assim devo agir no papel de professora de yoga :exercer a moral yoguica e ponto.
Agindo assim, apesar da difícil tarefa de educar num país onde os políticos roubam deslavadamente na louvação do deus dinheiro, uma vez que o coloca acima de qualquer valor humano, exerço o exercício da ética yogica, ao orientar meu filho com esses valores em detrimento dos valores corrompidos da Kali Yuga em que vivemos, ao conversarmos sobre os conflitos de condutas.
Ao conhecer os oito passos de Patanjali, dos quais B.K.S. Iyengar chamou-os afortunadamente de 'A árvore do Ioga" comparando-os desde a raíz até os frutos, dos quais os dois primeiros são os objetos de nossa analise aqui nesse texto- yamas e nyamas- notei que meus preconceitos em relação á moral e a seguir normas pré-estabelecidas veio á tona.Mas durou muito pouco ao me deparar com uma profunda identificação dos valores que o yoga propõe, bem como a maneira que devamos utilizá-los:de modo natural, de dentro pra fora, conquistando-os.Minha identificação íntima com tais princípios ficou bem a vontade ao perceber que já agia naturalmente de acordo com a maioria deles , e o restante conquistei-os por meio de alguns ajustes que a própria práxis do yoga foi me modelando, sem tempo pré- determinado ou imposto.Não tem um cunho moralizante impondo-o seus preceitos.Pois assim determina Vasquez (1998) ao citar Moral como
"Um sistema de normas, princípios e valores, segundo o qual são regulamentadas as relações mútuas entre os indivíduos ou entre estes e a comunidade, de tal maneira que estas normas, dotadas de um caráter histórico e social, sejam acatadas livres e conscientemente, por uma convicção íntima, e não de uma maneira mecânica, externa ou impessoal”.
O antropólogo e filósofo Edgar Morin propõe uma ética do gênero humano, concebida como “antropo-ética”. Tal ética supõe a decisão de assumir a complexidade da condição humana, buscando a compreensão da humanidade na consciência de cada ser, assumindo o destino humano em suas antinomias:
"A antropo-ética compreende, assim, a esperança na completude da humanidade, como consciência e cidadania planetária. Compreende, por conseguinte, como toda ética, aspiração e vontade, mas também aposta no incerto. Ela é consciência individual além da individualidade." (MORIN. 2002. p 106)
Em seu livro "O valor dos valores", Swami Dayananda Saraswati, nos faz pensar sobre o que consideramos um valor ao perguntar :
Qual o valor que um valor possui para mim mesmo?Dayananada diz que todos os objetivos que alguém procura na vida cabem em quatro categorias: segurança, prazer, dharma e liberação. Os desejos de riqueza e segurança e de prazeres sensoriais são compartilhados por todos os seres vivos.
Quando se trata de animais, a busca desses bens é governada pelo instinto. A vaca masca a grama por instinto, não por escolha. Toda ação envolve escolha de finalidades e meios para atingir um dado objetivo.
Cada um pode agir em harmonia com sua natureza, em contato com outros indivíduos ou dentro da sociedade, ou pode não fazê-lo.
Assim, para o ser humano, são valores que governam as ações ou a busca de segurança e prazer.
Uma vez que valores são sujeitos a variações e mudanças, cada um deve ter um conjunto de linhas de conduta que governe seus valores.
Esse conjunto - ética - é chamado dharma.A palavra dharma é derivada da raiz sânscrita dhr, que tem certo número de significados, sendo os principais "existir, viver, continuar" e "segurar, suportar, sustentar", refere-se à natureza ou caráter do que quer que seja. Nessa ordem de idéias, é possível falar do dharma de um objeto inanimado, ou de plantas e animais.
O dharma, ou natureza, do fogo é proporcionar calor e luz.
O dharma de uma vaca inclui dar leite e pastar. O dharma da vaca não inclui ficar à espreita e matar presas.
A natureza do ser humano, como ensina o Vedanta, é a plenitude absoluta. E é em relação ao indivíduo que não reconheceu sua própria plenitude que dharma pode ter diversas mudanças de significado.
Assim, ao desconhecer nossa natureza, nossos costumes variam de acordo com a ocasião e seguimos querendo realizar os desejos de nossos sentidos sem agir deliberadamente.
Dharma inclui tanto uma ética do bom senso, escolher minhas ações de maneira a não agredir os outros, como uma ética religiosa, que diz não me ser possível escapar dos resultados das minhas ações. Ações corretas ou incorretas levam a resultados conseqüentes, seja nesta vida ou depois dela.
Piaget, estudioso de epistemologia genética e de como as crianças adquirem conhecimento, disse que as crianças adquirem valores morais não por internalizá-los ou absorvê-los de fora, mas por construí-los internamente, através da interação do ambiente, caminhando assim á aquisição de sua autonomia moral.
Impor a moral de fora para dentro, é uma imposição parecida como querer fazer com que uma árvore cresça colocando as folhas a partir do exterior.
As folhas nascem de dentro da planta e cada planta ou animal se desenvolve de dentro para fora, com sua própria organização.
Depois de descobrirmos o valor que um valor tem para nós,escolhendo nossas ações , temos um segundo passo importante que é nos perguntar até que ponto nossos valores caminham com integridade com nossas ações, resumindo, se a corrompemos ou não.Temos de enxergarmos a
corrupção em nós, antes de acusarmos os políticos, para podermos
ser a transformação que queremos ver no mundo.Percebemos assim, que a importância de descobrirmos nossos valores é fundamental para nossas ações.É bem simples.Basta repararmos na dificuldade que a maioria das pessoas tem em agir deliberadamente , principalmente em situações inusitadas...não apresentam a presteza e a totalidade pois estão querendo seguir regras ou costumes alheios descabíveis as vezes naquela ocasião.
Por isso, nos firmarmos em nossos valores nos dá a base para agirmos criativamente e deliberadamente nas situações cotidianas e aquelas que fogem do protocolo programado.
Então, o
agir criativo deliberado é a flor da consciência.E o que é a flor da consciência?
É o poder (ação) de Shakti!É o poder de Shakti , ou seja, ação com a força(valores) de Shiva(consciência)
Assim, o objetivo da educação é EMANCIPAR o sujeito, Libertá-lo, e não encher-lhe de informações inúteis.
Ética é teoricamente reflexiva enquanto que a moral é prática.A moral normatiza e direciona a prática das pessoas, e a ética teoriza sobre suas condutas, estudando suas concepções que dão suporte à moral.
Portanto os yamas e nyamas fazem parte da moral yogi . Ambos são práticos. Mas os yamas ajustam o relacionamento do yogi aos outros. Se em nossa conduta para a interação na sociedade, precisamos refletir sobre os valores que nos deparamos, nem sempre iguais aos nossos , quando pensamos em ética é para os yamas que temos de olhar.Pois os yamas são mandamentos morais universais ou disciplinas éticas que transcendem credos, países, épocas e tempos.
Viver em yama e nyama é estar acordes com minha natureza humana , intrínsica a todos, é agir de acordo com
valores que sustentam meu dharma.Como disse acima, não é fácil lapidar nosso modo de agir com nossa consciência, porém, é bem verdade que o yoga, como arte de descondicionamento, facilita nossa jornada despindo-nos de tudo que não nos pertence, ajudando-nos a nos livrar de morais alheias à nossa natureza, refinando nossas escolhas para nosso bem viver.
Agora o ponto que vejo o yoga como uma ética universal não é exatamente pelos yamas e nyamas, mas pela flor da consciência que faz nascer no sujeito, derrubando os condicionamentos e amadurecendo-o para fazer suas próprias escolhas..
Pois vejo que o maravilhoso do yoga não é que há "leis morais" para seguir e pronto.O yoga acorda nossa consciência, e está desperta já faz todo o trabalho, pois nessa condição você responderá a cada situação de acordo com sua consciência, e essa não é capaz de fazer nada que seje ruim.Qualquer coisa que surja da Consciência é bela e correta.
Moral é a ação , e ética é a reflexão dando suporte para tais ações,o bom senso que avalia a moral e , ambas são o caminho que me faz cumprir meu dharma .E cumprindo o dharma vou reconhecendo a minha própria natureza como plenitude e totalidade, chegando no quarto objetivo desejado - o que dá fim a todos os demais desejos e objetivos - é moksha, a liberação .
É ter a liberdade de exercer nossa natureza de plenitude , paz a alegria.
Em época de ocupação da Wall Street, onde a crítica ao sistema capitalista brada aos quatro cantos do mundo “Queremos a Vida, e não a Bolsa!”, cabe a todos nós pensarmos que é chegado o momento de discutirmos essa moral capitalista do mundo trazendo uma ética a favor da Vida, partindo de nossa conduta individual.
Como uma ética universal, os fundamentos do yoga estuda a moral dos homens e discuti sua conduta, enxergando o ser humano no seu viés antropológico ao entender a natureza humana que a todos uni - de quaisquer religião , crença ou país:
a natureza de valorizar a
Vida, a ser vivida na liberdade de sua plenitude!
Namaste!